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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O Brasil em ebulição em um mundo em transformação

12 de agosto de 2009

Nos últimos 10 anos, o eixo de gravidade da economia mundial vem se deslocando dos EUA, Europa e Japão para o resto da Ásia, em particular para China e Índia. Este processo, que foi exacerbado pela atual crise financeira mundial e que deve continuar a se aprofundar nas póximas décadas junto com a urbanização e industrialização da China e da Índia, içou o Brasil a uma até pouco tempo improvável posição de destaque na economia mundial, criando oportunidades excepcionais para a economia brasileira como um todo e mais especificamente para o setor de distribuição de veículos.

A emergência de China e Índia a posições de liderança na economia mundial - nos últimos 10 anos, a China foi responsável por um parcela maior do crescimento do PIB mundial do que os EUA e a Índia a uma parcela superior à de toda Zona do Euro – causou dois impactos extremamante benéficos ao Brasil.

Em primeiro lugar, ao inundar o mundo com produtos e serviços baratos, a aceleração do processo de globalização causada pela entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2.001 tem sido determinante na redução da inflação global verificada nos últimos 10 anos. A queda da inflação, por sua vez, possibilitou um boom de crédito em todo planeta, inclusive no Brasil.

Além disso, por suas características demográficas – muito populosos e pobres – o crescimento acelerado destes países causou um boom na demanda mundial de produtos básicos (alimentos, metais, minerais, petróleo, etc) - que aliás, passados os efeitos mais significativos da crise financeira, já foi retomado - possiblitando que o Brasil atingisse mega-superávits comerciais nos últimos anos.

A crise econômica dos países desenvolvidos, que está agora deslocando o eixo de gravidade do consumo global também para os países emergentes, exacerbará estas tendências, permitindo que, mesmo que o mundo cresça menos nos próximos anos, os preços das commodities voltem a sustentar trajetória de forte elevação. Com isto, o Brasil voltará a ter superávits comerciais crescentes e forte apreciação comercial. Antes do final do ano que vem, o dólar deve cair abaixo das mínimas próximas a 1,55 atingidas no ano passado e provavelmente continuará a cair para níveis significativamente mais baixos nos anos seguintes. Isto reduzirá o preço dos produtos importados e a inflação no Brasil, permitindo que a taxa básica de juros Selic continue em redução significativa, atingindo cerca de 6% ainda em 2.010 e, provavelmente, caindo ainda mais nos anos seguintes. Somando-se a isso uma provável queda dos depósitos compulsórios dos bancos – a parcela da captação bancária que tem de ser depositada no Banco Centrla e nào pode ser emprestada - e da carga tributária sobre operações de crédito, o Brasil deve experimentar nos próximos anos um boom de crédito de magnitude maior do que o observado nos últimos 5 anos, com impactos positivos muito significativos sobre as vendas de veículos no país.





Soma-se a isso a provável manutenção de vendas de veículos em patamares bastante deprmidos nos próximos anos nos EUA, Europa e Japão - vendeu-se mais veículos no 1º semestre na China, país da bicicleta, do que nos EUA, país do automóvel - e fica claro que o processo de migração da produção e das vendas globais de veículos para países emergentes, incluindo o Brasil deverá se intensificar nos próximos.




Em resumo, ao contrário do que as dificuldades verificadas pelo setor no último trimestre de 2.008 e primeiro semestre de 2.009 podem sugerir, é provável que o desempenho do setor de revendas de veículos brasileiro nos próximos 5 anos seja o melhor de toda sua história.

Ricardo Amorim
Presidente da RICAM Consultoria
amorimrc@aol.com