O POVOhttp://www.cearatradebrasil.com.br/noticias.asp?not=191#Noticia19105 Set 2009
Os contatos comerciais entre Ceará e Angola já apresentam resultados concretos mais intensos. Até o final do mês, devem ser embarcados – via aérea e marítima –, produtos que somam US$ 120 mil, conforme informa o presidente da Ceará Trade Brasil, Roberto Marinho. A expectativa da empresa cearense é de que as exportações para Angola cheguem à cifra média de US$ 400 mil por mês até o final do ano.
Conforme Marinho, o fortalecimento dos negócios com o país africano é fruto da participação do Ceará na 20ª Feita Internacional de Luanda (Filda), realizada entre os dias 14 e 19 de julho na capital angolana, Luanda.
O empresário angolano Januário Augusto veio a Fortaleza e fechou esta semana os contratos de exportação. A primeira remessa será de moda praia (da Emanuelle Criações) e moda íntima (da Feminize Lingerie). As 500 peças somam o valor de aproximadamente US$ 10 mil e seguirão via aérea até o dia 15, diz.
Também pelo ar vai educação. Cerca de 750 títulos de livros didáticos de Medicina, Direito e Comércio Internacional foram vendidos ao país africando - US$ 25 mil em negócios.
Por mar – com a expectativa de frequência de trânsito de 15 dias –, foram comercializadas cargas de cosméticos (da Cigel Industrial e Laborene), que somam US$ 40 mil. Além disso, calçados, vindos de Juazeiro do Norte, somando US$ 45 mil em negócios. Os produtos devem chegar em Angola até o fim deste mês.
Logística
A logística foi apontada pelo empresário como a principal dificuldade da relação comercial. Mesmo assim, as vendas vão sendo realizadas até acumular a quantidade de negócios suficiente para valer a pena o transporte marítimo. Por enquanto, “a estratégia fazer uma frequência de 15 a 20 dias de chegada”, explicou Marinho e disse: “A dinâmica é que vai dizer os produtos que são mais pedidos.” O Conselho das Câmaras de Comércio Brasil Portugal vai realizar em Fortaleza o V Encontro empresarial de Negócios da Língua Portuguesa. O evento vai ocorrer nos dias 28 e 29 setembro, no Centro de Convenções do Ceará. O objetivo é desenvolver nos países de língua portuguesa a temática econômica e empresarial nos setores do turismo, infraestrutura, recursos naturais, agronegócio e inovação tecnológica.
Exportação de pequenos é desafio
As exportações cearenses, em termos proporcionais, sofreram menos com a crise econômica do que o setor nacional como um todo
Carlos Henrique Coelho
chenrique@opovo.com.br05 Set 2009
O Ceará exportou US$ 82,3 milhões no primeiro semestre de 2009, 9,7% de participação no total das vendas do Nordeste. O Estado teve desempenho, em termos comparativos, melhor do que o do País durante a crise.
As exportações brasileiras caíram 24,31%, já as cearenses registraram redução de 18,2%. “Temos que promover as exportações dos micros e pequenos empresários”, diz o presidente do Conselho do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no Ceará, que também ocupa a vice-presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Jorge Parente. Um dos meios para capacitar os pequenos produtores, segundo Parente, é o programa denominado Agente Local de Inovação (ALI). “Criamos o projeto para disseminar conceitos modernos para o avanço técnico e acesso à exportação. São postos avançados que levam informação e consultoria aos empreendedores”, explica. Hoje existem 30 agentes trabalhando em diversos municípios do Estado. Potencial As exportações cearenses chegaram a 834 tipos de produtos diferentes em 2008. Até junho deste ano, já alcançaram a marca de 637 itens. “Existe um vasto potencial aqui. Percebemos que, além de artesanato e derivados do caju, o setor de moda é bem forte e tem um mercado importante para ser explorado”, defende a coordenadora da unidade de projetos especiais da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Tatiana Porto.
O presidente de uma cooperativa independente, produtora de castanha de caju, Francisco de Assis Sales, é um bom exemplo deste potencial. Ele conta que o grupo formou parceria com empresas de trade (CEARÁ TRADE BRASIL), que fazem o intercâmbio entre quem quer exportar e quem quer comprar. O resultado foi o envio de amostras e propostas para Angola, Europa e Estados Unidos. “Estamos animados. A queda do dólar deu uma quebra no otimismo, mas não vamos desistir. Queremos exportar e aproveitar este grande mercado”, afirma Sales. Segundo o diretor do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exterior (Depla), subordinado à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento (Secex/Mdic), Fábio Martins Faria, as exportações brasileiras devem fechar 2009 em US$ 160 bilhões. “Estamos prevendo crescimento em 2010 com a retomada das principais economias do mundo. Para o ano que vem pensamos em US$ 200 milhões em negócios”, antecipa.
PASSO-A-PASSO
Pesquisa
É preciso identificar o mercado certo para seu produto. Parceria O segundo passo é encontrar parceiros, as trades, que facilitam o negócio e têm experiência no assunto. Para procurar no mercado, basta acessar o site
http://www.braziltradenet.gov.br/ Negociação
Tem que se ter o conhecimento das formas de pagamento sobre o negócio.
Competitividade
O preço a ser cobrado deve ser competitivo para ganhar o cliente.
Termos Internacionais de Comércio
São as definições de responsabilidades entre exportador e importador. Quais os deveres de cada parte. É fundamentar deixar tudo muito claro. Após fechar o negócio Hora de preparar a mercadoria, produzir. O exportador recebe a Proforma, que é um documento que especifica e caracteriza o pedido. Fatura Comercial Logo após o Proforma, deve ser enviado pelo cliente uma Fatura Comercial, que é equivalente a uma nota fiscal e é a confirmação do Proforma. Escolha a logística Dependendo do destino, pode ser feita a entrega via marinha, aérea, férrea ou rodoviária. É a hora de escolher o melhor modelo. Documento de Conhecimento de Embarque É o crivo do exportador sobre a remessa a ser enviada Verificar restrições e proibições de produtos Cada país tem suas normas sobre o que pode e o que não pode entrar em seu território. Antes de enviar a mercadoria, observe se é aceita no destino. Embarque Recebimento de pagamento Agradecimento É um item que não pode ser esquecido. Chama-se Conta de Agradecimento. É o pós-venda, que muitas vezes garante uma nova encomenda futura.
Orientação é fundamental
05 Set 2009
A assistente de comércio exterior dos Correios, Silvana Vidal, aconselha aos iniciantes no mercado de exportação que, antes de tudo, procurem orientação em cooperativas ou entidades do setor. "Há uma década era complicado, pois o conhecimento sobre o assunto era pouco disseminado. Hoje está melhor, mas pode e vai melhorar", espera. O programa dos Correios "Exporta Fácil", que como o nome diz procura facilitar a vida de quem pretende enviar seus produtos ao mercado internacional, atende hoje a 2,5% do total exportado no Brasil. "Este número está crescendo, pelo regime simplificado que oferece. São queimadas 13 etapas e a burocracia é menor", disse. Especialista no assunto, Silvana Vidal dá dicas para os novatos, mas deixa claro que é uma versão generalizada e que, para cada modelo de exportação, existe um caminho diferente a ser seguido. (CHC)