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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

As empresas brasileiras e a visão global

Estamos no ano de 2011, faz 10 anos que aconteceu o ataque ao World Trade Center em Nova York, Governos caíram no Norte da África, outros agonizam também no Oriente Médio, a economia da Europa passa por momentos turbulentos bem como a dos Estados Unidos. A China ameaça desacelerar o crescimento e o mundo terá que aceitar sua economia como “de mercado”. O dólar perde valor no mundo inteiro e pela primeira vez na história, os Estados Unidos tem sua nota de risco de crédito rebaixada e quase não consegue honrar o pagamento dos títulos devido às turras de Democratas x Republicanos. Como resultado, há uma busca por compra de títulos americanos!!!

Enquanto isso o Brasil tem andado na contra mão do mundo, com democracia consolidada, crescimento constante, mercado interno forte, pessoas saindo da linha da pobreza, classe média em ascensão, inflação sob controle, reservas internacionais com marcas recordes, geração de empregos, construção civil em alta. Tudo isso, compõe um ambiente favorável ao país e às empresas brasileiras, certo? Nem sempre e é ai que mora o problema, na acomodação!

É neste cenário de profundas e rápidas transformações, nem sempre de fácil compreensão, que teremos que conviver daqui pra frente. Uma nova ordem mundial está sendo formada e isto não acontece sem sofrimentos, sem acomodação e sem dor. Se faz necessário um olhar apurado de 3600., atenção aos detalhes e visão mundial, pois desta reordenação, surgirão oportunidades geradas pelas transformações e pelo vácuo deixado por empresas que fecharam, saíram do mercado, se reposicionaram ou migraram para outros países.

As empresas, em especial as pequenas e médias, não podem continuar com a ilusão que estão seguras no seu mercado interno robusto, crescente e maduro. No ambiente de economia globalizada e de crises internacionais, em especial a que estamos vivenciando, empresas da Europa e Estados Unidos, mas também da China, estão vindo se instalar no Brasil e com isso trazem Know How, máquinas modernas, conhecimento global e vão concorrer com as empresas brasileiras. Ora, se não estivermos preparados, como poderemos competir? A preparação das empresas e dos empresários é fundamental, necessária à sobrevivência e ela só se dá através da inovação, do conhecimento, da prática internacional. É por isso que defendo que as empresas não podem prescindir de seu olhar internacional, de voltar parte de sua produção para a exportação, de importar insumos (ou pelo menos conhecer as opções que dispõe), de interagir com congêneres no exterior.

Neste caminho, surge para o Brasil a África. Como bem disse o Ex Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim em artigo recém publicado, A África tem sede de Brasil. Podemos através dos principais países de língua portuguesa situados na África: Angola, Cabo Verde e Moçambique, exportar produtos de um grande número de empresas brasileiras. Através de comerciais exportadoras (modelo adotado na Ásia), os produtos poderão escoar com destino a estes países inicialmente e deles entrar no grande mercado africano. Também poderemos estruturar parcerias, joint ventures e transferência de tecnologia em várias áreas econômicas. Poderemos fomentar emprego e renda através de nossos produtos e serviços e com isto nos diferenciar dos concorrentes.

O principal já temos: empatia, conhecimento, bons produtos, serviços, o que falta principalmente é visão global, participação em feiras internacionais e conhecimento de idiomas.

O Brasil é a bola da vez, a África também. Vamos começar o jogo?