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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Câmbio e Reintegra permitem redução de preço de exportação


Por Marta Watanabe | De São Paulo


 A manutenção do dólar no nível dos R$ 2,00 e as medidas do governo federal para baixar custos das indústrias possibilitaram aos exportadores brasileiros reduzir os preços dos manufaturados vendidos ao exterior.
Em agosto, levando em conta todas as exportações, houve queda de 9% nos preços médios dos embar
ques, na comparação com o mesmo mês de 2011. A redução de preços, porém, não está mais restrita aos produtos básicos, como anteriormente. Os manufaturados vendidos ao exterior ficaram, em média, 3,9% mais baratos em agosto. Os básicos tiveram redução de 12,1% e os semimanufaturados, de 10,7%. Os dados são da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) e devem ser divulgados hoje.


Lia Valls, professora de economia da Fundação Getulio Vargas, diz que a redução dos preços de exportação ocorre em função da fraca demanda do comércio internacional, que ainda derruba os preços. É a desvalorização do câmbio e o efeito de medidas do governo de redução de custo de produção, porém, que têm permitido ao exportador fazer a redução do preço para continuar no mercado internacional, segundo economistas. "A desvalorização do real em relação ao ano passado tem permitido ao exportador baixar os preços e ter uma compensação via câmbio", diz Silvio Campos Neto, economista da Tendências.


A queda de preços dos manufaturados, acredita Rodrigo Branco, economista da Funcex, deve-se ao efeito das medidas do governo de estímulo à exportação. Para ele, a menor pressão de custos de produção permitiu ao exportador reduzir o preço para continuar exportando num ambiente internacional de baixa demanda.
Entre as medidas do governo federal nesse sentido estão a desoneração da folha de salários para alguns segmentos que trocaram a contribuição de 20% sobre folha pelo recolhimento de um percentual sobre o faturamento. A receita de exportação, porém, fica livre da nova tributação. Outro benefício é o Reintegra, que garante crédito tributário de 3% do valor exportado.


 A redução de preços de exportação mais generalizada é um movimento recente. Em 2011, entre os 29 setores dos quais a Funcex analisa os dados, apenas um não aumentou o preço de exportação. Em 2012, de janeiro a julho, dez setores já reduziram seus preços. Na comparação entre agosto deste ano e agosto de 2011, 21 setores já estão com preços menores.
 A redução de preços dos produtos embarcados é um sinal positivo porque indica que os exportadores estão sendo mais competitivos no mercado externo. De acordo com os dados da Funcex, os preços dos manufaturados exportados mudaram sua evolução a partir de junho. Nesse mês os preços de exportação dessa classe de produtos ficaram praticamente estáveis, com aumento de 0,6% em relação a junho de 2011. Em julho, já houve recuo de preços, de 3,3%. Em agosto a queda foi mais acentuada. No acumulado de janeiro a agosto, há ainda elevação de preço dos manufaturados, de 1,8%. Levando em conta o total de produtos exportados, o recuo de preço no acumulado foi de 2,9%.


Até o mês de julho, a redução de preços médios de exportação não retirou o ganho dos exportadores. Pelo contrário. De acordo com os dados da Funcex, em julho, quando as exportações brasileira ficaram, em média, 7,8% mais baratas que no mesmo mês do ano passado, a rentabilidade dos exportadores estava 11% mais alta. No acumulado de janeiro a julho o ganho de rentabilidade foi de 8,8%.


Julio Gomes de Almeida, professor da Universidade de Campinas (Unicamp), diz que o principal fator que possibilitou às empresas reduzir preço e serem um pouco mais competitivas no mercado externo foi o câmbio. Segundo ele, o efeito da desoneração está começando em alguns setores, principalmente naqueles em que o benefício veio primeiro, como vestuário e calçados. O Reintegra também começa a fazer diferença.


Entre os setores desonerados desde dezembro, o setor de couros e calçados ficou, em agosto contra agosto de 2011, com preços médios de exportação 10,5% menores. A queda foi maior que a redução média de 9% no preço do total das exportações. No mesmo período, vestuário e calçados exportados ficaram 8,5% mais baratos e os têxteis, 5,7%.


Somente no ano que vem, porém, diz Almeida, as medidas tributárias farão maior diferença. Juntamente com outras que deverão baixar o custo de produção, como a redução da tarifa de energia elétrica. E será possível, diz, saber se o conjunto de iniciativas são suficientes para fazer frente ao produto do exterior.
Por enquanto a redução de preços contribui para o exportador ser mais competitivo, diz Almeida. "Sem as novas condições o resultado poderia ser pior", acredita. A desaceleração dos principais mercados, porém, continua pesando e impedindo elevação da quantidade exportada. Em agosto contra o mesmo mês de 2011 a queda foi de 6% e houve redução em todas as classes de produtos. A classe com maior redução foi a de semimanufaturados, com queda de 14,5%

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Do Norte-Sul ao Sul-Sul



A estrutura internacional vem se movendo com os ventos da crise econômica global. Baixa de crescimento econômico desde os fins do ano de 2007, quebra de bancos que iniciaram em 2008 e a lentidão da recuperação nos Estados Unidos e na Europa no ocaso do ano de 2012. A história já pode classificar essa conjuntura: é uma quadra marcada por temporalidade depressiva na vida das nações avançadas.

As relações internacionais, tradicionalmente dirigidas pelas potências clássicas, tanto no campo da economia política quanto no da segurança mundial, se acostumaram à ideia do seguro porto do Norte. O que se vê agora é a insegurança na atracação desses países do Norte.

As transformações estruturais da última década puxou o mapa econômico global para o Sul e para o Pacífico. As velhas relações assimétricas, herdadas das formas anteriores de colonialismo, ou chamadas de Norte-Sul, inverteram o fluxo. A elevação do preço das commodities minerais e agrícolas, a produtividade crescente de produtos e as novas formas de crescimento econômico no Sul animaram as ex-colônias. A África, de 2001 a 2011, cresceu na média de 5,55% nos produtos internos brutos a cada ano daquela quadra. Mudou o quadro geral daquele continente.

A tradicional cooperação para o desenvolvimento, acostumada à métrica da distribuição de esmolas e sacos de alimentos para sociedades flageladas na África e na Ásia, cedeu lugar a outra forma de cooperação entre os países em desenvolvimento na parte inferior da linha do Equador. Emergiu a cooperação Sul-Sul, como aquela que o Brasil pratica para países do lado atlântico e sul-americano de suas fronteiras.

Quais as características dessas novas formas de cooperação internacional para o desenvolvimento? Qual a agenda específica da cooperação Sul-Sul?

As respostas a essas perguntas não possuem ainda respostas seguras, mas algo já se desenha na nova estrutura da cooperação Sul-Sul. Uma deriva da emergência dos Brics em relação ao G7. Os primeiros já são responsáveis por cerca de 50% do crescimento mundial, enquanto as sete economias centrais reduzem sua contribuição ao crescimento global a 15%. Há, portanto, recursos no Sul para serem utilizados nos países mais vulneráveis no próprio Sul. Isso é novo.

Em segundo lugar a cooperação Sul-Sul rompe o antigo binômio doador-receptor da ajuda internacional. Agora há o Sul doador. Envolve a nova cooperação entre os países emergentes a ideia de contribuir ao desenvolvimento inclusivo e não a velha ajuda do Norte nas formas de migalhas e esmolas. O Brasil, país já classificado como PRM (País de Renda Média), tem todas as condições para agir nesse campo. Pode ajudar aos mais vulneráveis na África enquanto ajuda os mais fracos dentro do nosso próprio país.

José Flávio Sombra Saraiva
 fsaraiva@unb.br
PhD pela Universidade de Birmingham e prof. titular de Relações Internacionais da UnB

Oportunidade para o Brasil tornar-se protagonista





A grande crise financeira de 2008, com o colapso do Lehman Brothers desencadeou um fenômeno com múltiplas dimensões. A crise e o quase colapso do sistema financeiro são o núcleo de uma erupção vulcânica que desencadeou a chamada Grande Recessão de 2008/09, seguida da crise de dívidas soberanas na Europa e causaram uma série de outras mudanças paradigmáticas.

As economias dos Estados Unidos e da Europa saíram da normalidade e passaram a ser regidas por comportamentos induzidos por incerteza, medo, contágios, pânicos e corridas, com mudanças súbitas de humor, de aversão ao risco e das convenções nas quais se baseiam as decisões financeiras e econômicas.

Pela experiência histórica, a crise de 1930 e a crise do Japão nos anos 1990, a única lógica ou elemento racional que prevalecem neste caso é a lógica da desalavancagem, em que os agentes econômicos, que se endividaram na fase anterior de boom de crédito, que precede toda crise financeira, têm agora de pagar as dívidas e limpar seus balanços, num contexto em que seus ativos perderam valor ou viraram pó.

Este processo gera a chamada "balance sheet recession". As famílias terão que aumentar a poupança ao longo dos próximos anos para pagarem a dívida, reequilibrar seus balanço. Mas, para isso, terão que reduzir o consumo, provocando recessão e desemprego.

Diante da recessão e desemprego, as empresas, mesmo tendo lucro, em vez de investirem para ampliar a capacidade produtiva, preferirão pagar suas dívidas para limpar os balanços. Os bancos terão que se desalavancar, em sucessivas rodadas, na medida em que se desfazem de seus ativos para reduzir seus passivos. Esse processo causa a desvalorização dos ativos, gerando a necessidade de novas desalavancagens.

Foi assim que, em 1929, os Estados Unidos levaram uma década para superar a crise. O Japão levou pelo menos uma década e meia para livrar-se dos problemas financeiros que eclodiram em 1989. A atual crise financeira não será diferente. Vai levar mais uma década para que seja superada e a normalidade restaurada. Haverá avanços e recuos nas economias desenvolvidas, mas elas permanecerão semiestagnadas ou com crescimento rastejante.

A atual contração econômica decorre do estouro de uma superbolha financeira. Desde os anos 1980, quando se inicia o período de desregulação financeira, as inovações geraram um superboom de crédito e sucessivas bolhas. A cada estouro, o sistema financeiro ou os países, com crises de "sudden stops", foram socorridos ampliando-se a liquidez e o crédito, o que manteve ficticiamente o valor dos ativos financeiros para, finalmente, a crise do subprime de 2007 desencadear a grande crise financeira de 2007/08.

Tanto as intervenções dos bancos centrais como dos Tesouros Nacionais não têm resolvido o problema real de solvência dos devedores, limitando-se a prover liquidez, a taxa de juros subsidiadas, e transferir ativos financeiros problemáticos para seus balanços.

Se este processo de subsídio e de manutenção dos ativos financeiros problemáticos nos balanços do governo perdurar por mais uma década é possível que as algumas instituições credoras consigam sobreviver. Na realidade, com a fantástica expansão monetária, os sucessivos afrouxamento - o "quantitative easing" - e aquisições de ativos problemáticos, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) e o Banco Central Europeu (BCE) estão agindo como se estivessem reestabelecendo a situação prévia a crise, com a manutenção dos ativos financeiros nos balanços dos bancos não a valor de mercado, mas a preços ficticiamente avaliados pela explosão monetária e creditícia sem precedentes.

A dura realidade é que a própria crise financeira já tornou transparente que a maioria destes ativos financeiros tem valor fictício, pois alguns créditos eram Ponzi, outros eram garantidos por outros títulos que evaporaram e só uma pequena parte tem garantia em produção ou renda futura.

Outra consequência inevitável das crises financeiras é que elas se iniciam com a insolvência de dívidas do setor privado e rapidamente se convertem em déficit, dívida pública e, em seguida, crise do setor público. Atualmente, isso está sendo sentido de forma mais aguda na Europa com a crise das dívidas soberanas.

A adoção da moeda única na Europa criou um problema adicional: sem a prévia integração dos mercados de trabalho e sistemas previdenciários, que continuam nacionais, a mobilidade do emprego é restrita. Assim, o custo unitário do trabalho tornou-se muito elevado nos países orientados para a expansão de serviços não negociáveis (Grécia, Portugal, Espanha etc) comparativamente aos países do norte da Europa, que cresceram com a expansão da indústria e produtos "tradables", onde os ganhos de produtividade foram muito maiores e obrigatórios para enfrentar a competição.

A Alemanha, por exemplo, onde a indústria representa 30% do Produto Interno Bruto (PIB), e transformou-se em grande exportador líquido, enquanto a Grécia, na onda da entrada de capitais, se endividou excessivamente e não tem hoje como pagar as dívidas. É o velho problema da dupla transferência de renda.

Sem a intervenção do Estado, o sistema financeiro europeu e americano teria praticamente desaparecido
O forte ajuste fiscal torna-se obrigatório para reduzir o déficit, a dívida pública e a desvalorização cambial, aumentando o desemprego, a fim de reduzir os salários e preços em euros, reequilibrar o setor externo e promover a transferência externa, ou seja, pagar sua dívida externa.

Muitos acreditam que esta crise levará à dissolução do euro ou, pelo menos, à saída da Grécia, Espanha e, eventualmente, outros países. Não acredito nesta hipótese, pois a integração europeia é antes de tudo um projeto político, e a vontade política é muito forte e dominante neste processo. A opção será por um longo e prolongado ajuste dos países do sul da Europa que deverá levar ainda década de crise profunda e reformas.

Num quadro de crise financeira prevalece a incerteza e o longo prazo é imprevisível. Na incerteza, como dizia Keynes, para tomar decisões é preciso aceitar "convenções" e basear-se nelas para "arriscar previsões". Ao invés de arriscar previsões de curto prazo, este texto tenta perceber as grandes rupturas e tendências históricas, tanto no pensamento dominante, como na dinâmica global da economia mundial. Vamos detectar os deslocamento das forças dominantes que comandarão a economia global e que poderão representar grande oportunidades para o Brasil deixar de ser um país dependente e coadjuvante e se tornar autônomo, ter um projeto próprio de "catching up" e ser protagonista de seu futuro.

Toda a crise financeira profunda e duradoura desencadeia crise política e social. Rompe-se o consenso ou acordo que prevalecia previamente e o poder hegemônico perde legitimidade e se enfraquece. Na economia, os regimes de política econômica, as instituições, a ideologia e o pensamento econômico que as organizam e sustentam, tornam-se disfuncionais, exigindo constante e crescente intervenção do Estado.

O paradigma liberalizante que vigorava desde 1980 entrou em crise e passou a ser questionado pelos fatos, pela necessidade de respostas pragmáticas e rápidas do governo para salvar o sistema. A insatisfação politica da população e a inquietação social é crescente. A ortodoxia econômica envelheceu subitamente e tornou-se disfuncional diante dos fatos, abrindo espaço para novas ideias. A conservadora revista "The Economist" resume a atmosfera do famoso encontro de Jackson Hole, deste ano, onde os banqueiros centrais e os maiores experts acadêmicos em política monetária se reúnem anualmente oferecendo diagnósticos e políticas alternativas - mas todos eram presas de um fato embaraçoso: "Nada do que eles tinham feito funcionou, e eles não sabiam porque".

Com a ascensão do neoliberalismo, a partir dos anos 1980, o mercado transformou-se no princípio dominante de organização da economia capitalista, com retração da função Estado. Entretanto, com a crise, se não fosse a massiva intervenção e socorro prestado pelo Estado todo o sistema financeiro americano e europeu teria praticamente desaparecido. Para a sobrevivência do próprio capitalismo, o Estado-nação está retomando a sua função reguladora e controladora dos mercados, num processo adaptativo, diante da ameaça maior da crise.

Esse deslocamento e processo adaptativo entre mercado e Estado, num novo ambiente desencadeado pela própria crise, levará anos para estabelecer um novo paradigma. A plutocracia financeira, ainda com poder formidável, sofreu baque mortal, mas vem resistindo ao avanço da regulação e dos controles pelo estado. Além disso, as mentes humanas são presas de velhos ideias e levam muito tempo para serem mudadas.

Entretanto, quanto maior for a resistência e o período de dominância das velhas ideias e do mercado livre como princípio de organização da economia, maior será a crise necessária para que o princípio adaptativo funcione e reestabeleça a nova ordem. Nos Estados Unidos, ainda em 2008, o governo republicano, defensor da ideologia neoliberal, teve que reagir reduzindo os impostos e aumentando os gastos para salvar o sistema financeiro, praticando a política de recuperar a demanda agregada, ainda que contra o seu credo.

Com o aumento do déficit e da dívida públicos, veio a reação subsequente com ascensão politica da ala mais conservadora dos republicanos, que poderá travar o instrumento fiscal, com grande risco de um segundo mergulho da economia americana. Tanto é que os jornais já anunciam a possibilidade de um "abismo fiscal", a partir de 31 de dezembro. Se não houver um novo acordo entre democratas e republicanos, difícil num ano de eleição, e se não forem renovadas as medidas adotadas anteriormente de redução de imposto e aumento de gastos fiscais, teremos uma contração fiscal correspondente a 3,5% do PIB, o que levará a economia americana a nova recessão.

Com o deslocamento pela crise do mercado para o Estado, a ascensão econômica e política da China ganha novo significado como o candidato natural para ser o novo paradigma econômico dominante, um novo capitalismo de Estado, em substituição ao modelo da liberalização global.

Nos próximos anos, tanto os Estados Unidos como a Europa deverão ter como prioridade absoluta a revitalização das suas economias, voltando-se para dentro. Somada a isso, com a perda de credibilidade e de legitimidade da sua classe dirigente, a governança global mudará radicalmente. Desta forma, viveremos, nas próximas décadas, um interregno hegemônico, com a ausência de um centro que dite as regras do jogo, exerça dominância política e ideológica, imponha um pensamento econômico e atue como policial do mundo.

Neste quadro, novos atores estão ganhando autonomia e poder global, como os países do grupo dos Brics, por exemplo; outros fóruns estão surgindo, como o G-20; e coalizões de forças políticas estão se formando. É isto que construirá uma nova ordem internacional.

Nesse quadro, conceitos como soberania, Estado-nação e nacionalismo, com novos conteúdos, voltarão a adquirir força política e movimentarão as massas, particularmente nos emergentes. Estes processos estão sendo alimentados pela guerra cambial, crescente protecionismo e pelo fato de o problema de desemprego ser sempre um problema nacional.

Como a crise que afetou em cheio Estados Unidos, o consumidor ou importador em última instância e emissor de moeda reserva, a economia mundial perdeu a sua locomotiva que puxava o resto, desde a Segunda Guerra Mundial. O dinamismo econômico, de um lado, se deslocou para a periferia, para os países emergentes; e de outro, deixou de ser as importações do centro, para os mercados domésticos destes países. Uma nova dinâmica global está emergindo, como mostra nitidamente as tendências e projeções de crescimento pós-crise.

Com mais meio século de crescimento, teremos uma sociedade moderna, democrática e rica
É nesse panorama que cabe colocar o que acontecerá com o desenvolvimento brasileiro. Na verdade, a pergunta correta seria: estamos preparados para aproveitar novamente um período de vácuo de poder e nos inserirmos no novo contexto global e deslanchar um novo projeto nacional de desenvolvimento sustentado?

A industrialização brasileira, a locomotiva do processo de desenvolvimento desde os anos 1930 até a crise da dívida externa, em 1980, não ocorreu por geração espontânea. Foi no interregno hegemônico anterior, entre o declínio do império britânico e a ascensão norte americana, que abriu espaço para manifestação de vontade política.

A partir da crise da dívida externa de 1980, ficamos dependentes do setor financeiro internacional e, com a abertura da conta de capitais e a integração financeira, voltou a dominar a mentalidade colonial na qual passamos a priorizar a estabilidade macroeconômica, em detrimento de um projeto de desenvolvimento; e o fluxo de capitais do exterior, como determinante dos investimentos e crescimento.

As políticas monetária e fiscal e o regime de taxa de câmbio foram subordinadas àquelas prioridades. O polo dinâmico foi deslocado para o exterior: sistema financeiro global e seu fluxo de capitais. O mercado foi alçado a princípio organizador e coordenador da atividade econômica. As ideias correlatas de Estado-nação, interesse nacional e planejamento estratégico foram para o index e retiradas do vocabulário e da prática, substituídas pelo discurso liberalizante e pela teoria de dependência em que somos meros coadjuvantes subordinados e associados ao poder hegemônico.

De 1980, quando finda a industrialização por meio da substituição de importações e temos a crise fiscal do Estado brasileiro, até 2004, a economia estava dominada por aquilo que Celso Furtado chamava de "insuficiência dinâmica" da estrutura produtiva. Apesar da indústria de transformação ser relativamente desenvolvida, era incapaz de gerar efeitos dinâmicos capaz de autoimpulsionar seu crescimento. Com "oferta ilimitada de trabalho" e enorme desemprego, os salários da grande massa eram extremamente deprimidos e a grande maioria ocupava empregos informais. Isso explica por que o Brasil tinha um perfil de distribuição de renda e de salários dos piores do mundo.


Com a forte queda na taxa de natalidade, em meados da década de 1980, a população jovem de 18 a 26 anos parou de crescer e tem declinado desde então. Com a aceleração do crescimento, a oferta de trabalho voltou a crescer. Naquele momento, a economia brasileira sofreu uma transformação estrutural da maior importância do ponto de vista do crescimento econômico autossustentado. Isso significou uma dramática mudança na dinâmica do mercado de trabalho. Os salários na base da pirâmide começaram a aumentar em termos reais e com crescente formalização das relações de trabalho. Pela primeira vez desde a grande onda de imigração, nas primeiras décadas do século XX, começamos a enfrentar uma situação em que mão de obra passou a ser um fator relativamente escasso.

O mais importante é que, nesse quadro, as empresas reagiram, aumentando a produtividade para compensar os aumentos de salários, gerando um círculo virtuoso e dinâmico. Como a nossa indústria de transformação está longe da fronteira tecnológica, há um espaço imenso para aumentar a produtividade do trabalho com simples processo de "catching up". E, de fato, os dados mostram que, a partir daquela data, a trajetória de produtividade sofreu uma inflexão e deslanchou no Brasil até pelo menos a crise de 2008.

Assim, geramos um círculo virtuoso dinâmico em que os aumentos dos salários, de um lado, obrigam os empresários à atualização tecnológica, e aumento de produtividade, de outro, amplia a demanda de bens de consumo que estimulam os investimentos produtivos. Esses investimentos têm sido autofinanciados pelas próprias empresas. A rigor, os dados do IBGE mostram que, nos últimos anos, as empresas brasileiras poupam muito mais do que investem produtivamente, isto é, os lucros retidos são maiores do que os investimentos até pelo menos 2008, a partir de quando os impactos do câmbio valorizado e seus efeitos sobre os custos deprimem as margens de lucro.

A criação desse círculo virtuoso dinâmico tem um paralelo na nossa história econômica. Corresponde ao deslocamento, para dentro do país, do polo dinâmico em 1930, com a introdução do processo de substituição de importações, que permitiu implantar a indústria brasileira e gerou efeitos dinâmicos autossustentados até 1980. Com a crise financeira de 2008 e novo período de interregno hegemônico, abre-se uma oportunidade de voltarmos a completar o projeto de desenvolvimento econômico e social, com o deslocamento do polo dinâmico de crescimento para dentro do país. Com mais meio século de crescimento, ainda que moderado, completaremos o projeto, iniciado nas últimas décadas do século XIX, de ter uma sociedade moderna, democrática e rica.

Artigo escrito por Yoshiaki Nakano que é mestre e doutor em economia pela Cornell University. Professor e diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EESP/FGV). Ex-secretário da Fazenda do governo Mário Covas (SP).

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O Ceará precisa priorizar as relações comerciais com a África Subsaariana.

CIN - Centro Internacional de Negócios



Por José Nelson Bessa Maia*

No final da última década do século XX, o Ceará parecia despontar como uma das pontas de lança do Brasil rumo ao continente africano, considerado uma nova fronteira geoeconômica e prioridade geopolítica da política externa nacional. Com efeito, a abertura dos voos da TAP para Lisboa e da TACV para Cabo Verde e o foco da ação promocional do governo do Estado, do SEBRAE e da Federação das Indústrias (FIEC) rumo a países como Cabo Verde, Angola e Senegal rendeu bons frutos, tendo alavancado vendas externas para aqueles mercados africanos e incentivado os pequenos e médios empresários cearenses a buscar expandir suas exportações e estabelecer parcerias de negócios com nossos vizinhos atlânticos. Isso resultou num salutar processo de internacionalização da economia cearense e indicava uma promissora expansão de nosso comércio exterior, renda e emprego.

Malgrado, porém os esforços e os resultados positivos então obtidos, o Ceará aparentemente perdeu o interesse pela África, a julgar pelo retrocesso dos últimos anos. De fato, as exportações do estado para o conjunto da África Subsaariana, em 2011,  despencaram 14,2% em relação a 2008, atingindo a modesta marca de US$ 33,1 milhões ou 10,6% do total exportado pelo Nordeste brasileiro para aquela região do mundo. No mesmo período, Pernambuco exportou US$ 105,1 milhões para a África Subsaariana, ou 33,8 das exportações nordestinas para aquela região. As exportações cearenses para Cabo Verde (o que já foi um ícone de sucesso) tiveram a forte queda de 89,4% em relação à marca de 2008, reduzindo-se a uma modesta receita cambial de US$ 1,12 milhão em 2011. Longe de ser uma mera oscilação conjuntural de fluxos de comércio, as séries estatísticas do MDIC apontam para tendência de declínio ao longo prazo na participação cearense nas exportações nordestinas para aquele bloco africano, ficando hoje atrás de Pernambuco, Bahia e Maranhão.

Esse retrocesso ocorre paradoxalmente num momento em que a África Subsaariana se firma como uma das áreas mais dinâmicas da economia mundial, perdendo apenas para os países da Ásia, liderados pela China. Segundo o FMI, as economias dos 48 países subsaarianos cresceram em média 6,6% no período 2004-2008; reagiram bem aos efeitos da crise global de 2009, quando cresceram 2,5% (enquanto o Brasil teve uma queda no PIB de -0,6%) e cresceram 4,9% em 2010, com expectativa de acelerar ainda mais essa trajetória nos próximos anos. Em função do crescimento sustentado e dos ganhos atingidos nos termos de troca (devido aos aumentos de preços de commodities), o poder de compra nos países da África subsaariana permitiu quase dobrar suas importações nos últimos sete anos (de US$ 140,8 bilhões, em 2004, para US$ 379 bilhões em 2011). Trata-se, portanto, de uma área do mundo com grande potencial de expansão de mercado e de absorção de importações de bens manufaturados.

A explicação para esse dinamismo em umas das regiões mais pobres e atrasadas do mundo em meio à fraca recuperação das economias avançadas (EUA, Zona do Euro e Japão) reside em três fatores: i) melhoria no ambiente político interno dos países africanos após décadas de instabilidade e conflitos étnicos; ii) avanços quase generalizados na condução da política macroeconômica (à exceção do Zimbábue), que reduziram a inflação, os déficits fiscais e o excesso de endividamento externo, e iii) crescentes vínculos de comércio e investimento com os gigantes asiáticos (China e Índia), que vêm estimulando o incremento das exportações africanas e da formação de capital fixo nesses países. As perspectivas favoráveis de crescimento no longo prazo na região vêm atraindo o interesse de investidores internacionais e criando condições para o desenvolvimento de mercados de capitais (emissão de bônus, abertura de bolsas de valores etc) em países como Nigéria, Quênia, Gana e Angola.

Em face dessa nova realidade e da agressividade de outros estados nordestinos nos mercados africanos é chegada a hora do Ceará reagir e buscar restabelecer seu protagonismo no campo da paradiplomacia comercial com vistas a ocupar lugar de destaque naquele promissor subcontinente e criar oportunidades de negócios para suas empresas. Uma estratégia promocional com chances de sucesso requer a remontagem do sistema estadual de relações internacionais (desativado em 2007); a articulação mais efetiva com os órgãos federais envolvidos na promoção comercial (MRE, MDIC e APEX) e, não menos importante, gestões junto à iniciativa privada, nacional e estrangeira, sobretudo na área de logística e transportes internacionais, para equacionar graves problemas de falta de linhas regulares de navegação e aviação civil que obstaculizam as operações de comércio exterior entre o Nordeste brasileiro e a África.

A julgar pelo desempenho econômico atual alcançado pela África subsaariana, onde estão os mercados alvos dessa investida cearense – a ser liderada pelo governo estadual e pela Federação das Indústrias (FIEC), com o apoio do SEBRAE/CE – seriam África do Sul (importações de US$ 121,6 bilhões em 2011); Nigéria (importações de US$ 55,0 bilhões); Angola (importações de US$ 22 bilhões); Gana (importações de US$ 10,9 bilhões), Senegal (importações de US$ 5,9 bilhões) e Cabo Verde (importações de 970 milhões). Obviamente, que os demais países da região subsaariana, que juntos perfazem um volume de importação US$ 162,7 bilhões (em 2011), merecem atenção, mas seu potencial está pulverizado entre 38 países, o que limita o alcance e a efetividade de uma estratégia de promoção comercial com foco em resultados.

*Economista do CORECON-DF, ex-assessor internacional do Governo do Ceará (1995-2006), é mestre em economia pela Universidade de Brasília (UnB) e doutor em Relações Internacionais pela UnB. E-mail: nbessamaia@gmail.com.

Fonte: Artigo envio pelo próprio autor

Exportações exigem ação urgente

CIN - Centro Internacional de Negócios


Por Robson Braga de Andrade*

Diante de um cenário global conturbado e de condições desfavoráveis de competitividade no plano interno, as indústrias brasileiras vêm perdendo terreno no comércio exterior. Em 2002, as exportações de manufaturados representavam 54,7% da nossa pauta. No ano passado, esse número caiu para 36%. Por vários motivos, isso é prejudicial ao país. Em sentido inverso, a participação dos itens básicos subiu de 28,1% para 47,8%. O fenômeno deixa as contas externas reféns da oscilação dos preços de produtos agrícolas e minérios, diminui o valor agregado na economia e dificulta a inovação e a criação de empregos de qualidade, além de impedir que a prosperidade beneficie outros setores. A situação exige ações urgentes.
As exportações de manufaturados caíram também em valores absolutos. Em 2008, quando eclodiu a crise internacional, o Brasil vendeu US$ 92,7 bilhões ao exterior, sofrendo um tombo no ano seguinte (US$ 67,3 bilhões). Em 2011, apesar de a trajetória ter se alterado, continuamos abaixo do nível anterior às turbulências, com US$ 92,3 bilhões — é provável que não nos recuperemos totalmente em 2012. Dez anos atrás, existiam quatro itens manufaturados entre os 10 mais exportados. Hoje, só há um: partes e peças para veículos. Os outros nove são básicos ou semimanufaturados, como minério de ferro, petróleo, soja, açúcar em bruto, café e frango.

No ano passado, o Brasil registrou um deficit comercial de US$ 92,5 bilhões em manufaturados. Nos primeiros sete meses de 2012, o volume exportado pelo segmento caiu 3,1%, embora o preço tenha aumentado 2,7%, segundo os dados da Funcex. No mesmo período, a quantidade vendida de básicos subiu 4,7%, mas o preço, que sofre com a queda das cotações internacionais, diminuiu 5,6%. Ou seja, o país está concentrando seus embarques em produtos básicos, que estão em baixa, em detrimento dos manufaturados, mais valorizados em todo o mundo. Isso é justamente o oposto do que deveria ser feito. Ao mesmo tempo, as importações de bens de consumo, favorecidas pelo real ainda sobrevalorizado, subiram 1,7% de janeiro a julho.

Os números não deixam margem para dúvidas. Do total dos manufaturados consumidos no país, 21,1% vêm de fora, de acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Esse é o maior valor da série histórica, iniciada em 1996 – em 2002, o coeficiente era a metade (10,5%). A parcela da produção de manufaturados destinada às vendas externas está em 15%, um nível bem inferior à máxima histórica de 18,7%, alcançada em 2005.

Os prejuízos com esse quadro são enormes. Ficamos à mercê dos humores do mercado internacional quanto aos preços das commodities, que oscilam muito. Hoje, o país vive o transtorno contra o qual diversos analistas alertaram nos últimos anos: concentrar os esforços exportadores em mercadorias de valor volátil é perigoso, pois deixa a nossas contas externas vulneráveis. Não fosse a quebra de safra da soja nos Estados Unidos por questões climáticas, o que recuperou um pouco a cotação do grão, as perspectivas brasileiras seriam piores. Apostar em itens de maior valor agregado é mais seguro, pois eles permitem a criação de empregos em quantidade e qualidade e geram um efeito multiplicador da renda, entre outros pontos positivos.

Uma economia em que as indústrias se exponham às exigências próprias da competição no exterior se torna mais dinâmica e inovadora. Empresas que veem seus contratos de exportação minguarem – pela falta de condições práticas para concorrer – têm dificuldades em refazer o caminho interrompido. Precisamos encontrar uma forma de estabilizar o câmbio num nível competitivo, melhorar as garantias do financiamento às vendas externas e acelerar a liberação dos recursos, promover acordos comerciais para favorecer a entrada dos nossos produtos em outros mercados, fortalecer a defesa comercial e aperfeiçoar a devolução dos créditos obtidos nas operações, com retorno imediato e integral dos recursos.

A agenda do comércio exterior é extensa, mas fundamental. Inclui também a redução da burocracia e medidas que favoreçam indiretamente as exportações, como a ampla desoneração da folha de pagamentos. O Brasil precisa elevar a competitividade das indústrias nacionais mediante o aprofundamento e a aceleração das iniciativas que retiram os obstáculos ao crescimento econômico vigoroso. Devemos pôr em prática o Plano Brasil Maior e aumentar o nível de concessões na infraestrutura, o que estimulará investimentos. Lutar contra os entraves ao nosso pleno desenvolvimento tem que ser uma tarefa diária.

*Empresário, é presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

Fonte: Correio Braziliense
CIN - Centro Internacional de Negócios


Brasil bate recorde de exportação para a China



Nos primeiros oito meses de 2012, os embarques do grão ao país asiático totalizaram 21,6 milhões de toneladas a um valor de US$ 11,2 bilhões. No mesmo período de 2011, foram vendidas 17,5 milhões de toneladas, alcançando US$ 8,6 bilhões, enquanto em todo o ano foram comercializados US$ 11 bilhões.
Em agosto deste ano, as exportações brasileiras de soja em grão para a China caíram em relação ao mês anterior, atingindo US$ 1,078 bilhão, com volume de 1,85 milhão de toneladas. Em julho, as vendas foram de US$ 1,491 bilhão, com 2,741 milhões de toneladas.

A baixa registrada no mês passado é um reflexo da forte compra da commodity pelo país asiático no primeiro semestre. Com os preços dos grãos em alta ao longo do ano, a China fez compras antecipadas, inclusive da safra que ainda está sendo plantada. Nos primeiro oito meses de 2011, o Brasil exportou em todas as áreas, US$ 29 bilhões para o mercado chinês, enquanto este ano, no mesmo período, o total foi de US$ 29,1 bilhões.

Óleo – Outro produto de destaque na relação entre os dois países foram os óleos vegetais – principalmente o de soja – e animais. De janeiro a agosto de 2011, foram vendidos US$ 540 milhões, enquanto no mesmo período deste ano o número saltou para US$ 730 milhões. A quantidade também subiu e passou de 513 milhões de toneladas nos oito primeiro meses do ano passado para 685 milhões de toneladas no mesmo período deste ano.

Produtos manufaturados – O governo brasileiro, por meio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), está negociando com o país asiático o aumento das compras de produtos manufaturados. Atualmente, 80% das mercadorias brasileiras importadas pela China são de produtos básicos, como soja, minério e petróleo. Durante essa semana, uma missão brasileira formada por 15 empresas e nove entidades setoriais estará na China para participar de uma conferência sobre comércio com o país asiático.

Fonte: Portal Agronegócio

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Brasil entre os 50 mais competitivos


Pela primeira vez, o Brasil entrou para o ranking dos 50 países mais competitivos no Relatório Global de Competitividade, divulgado ontem pelo Fórum Econômico Mundial. Para chegar à 48ª posição desta edição do ranking, o País subiu cinco lugares desde o ano passado. No topo do ranking, pelo quarto ano consecutivo, está a Suécia. Cingapura ficou em segundo lugar, seguido por Finlândia, Suécia, Holanda e Alemanha. Já os Estados Unidos caíram da quinta posição que ocupavam em 2011 para o sétimo lugar. Em oitavo, nono e décimo lugares ficaram Reino Unido, Hong Kong e Japão, respectivamente. De acordo com o responsável pela análise dos dados brasileiros, Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, o ranking foi afetado pela incerteza crescente por conta da crise na Europa, da vulnerabilidade norte-americana e da desaceleração da China. A Fundação coordena a coleta e a análise de dados brasileiros.
Em ascensão

A melhor avaliação sobre a macroeconomia nacional ajudou a puxar o País para a lista dos 50 mais competitivos.

Neste ano, o Brasil subiu 53 posições no critério "ambiente macroeconômico", saindo da 115ª colocação em 2011 para a 62ª. O salto, segundo a Fundação Dom Cabral, pode ser consequência da exclusão do indicador "spread bancário" do estudo deste ano. O indicador costuma ser "problemático" para o País, conforme a fundação, mas foi retirado da análise de 2012 por ser considerado ineficiente para comparar o grau de eficiência bancária nos diversos países.

Arruda explica que as medidas tomadas pelo governo de redução da taxa básica de juros e consequente queda dos juros bancários teriam impacto positivo para o País no ranking, mas não conseguiriam fazer com que o "ambiente macroeconômico" subisse tantas posições.

Fonte: Diário do Nordeste

Camex eleva em até 25% Imposto de Importação de produtos vindos de países fora do Mercosul

CIN - Centro Internacional de Negócios



Reunido hoje (4) pela primeira vez neste ano, o conselho de ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) elevou para até 25% o Imposto de Importação de uma centena de produtos importados de países de fora do Mercosul, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Segundo ele, o objetivo da medida é “estimular a produção nacional”, uma vez que a indústria brasileira sofre pesada concorrência de fora.

O ministro disse que o aumento da alíquota, nos termos admitidos pela Organização Mundial do Comércio (OMC), abrange produtos siderúrgicos, petroquímicos, borracha, pneus e alguns medicamentos. Ele enfatizou, porém, que os preços dos produtos serão constantemente monitorados para evitar majorações de preços no mercado interno, “caso contrário, derrubaremos a alíquota imediatamente”.

Mantega classificou o aumento da alíquota como mais uma medida para proteger a indústria nacional, já beneficiada com medidas na área cambial, com a redução de custos financeiros e tributários, além de menores juros para facilitar investimentos.

Para o ministro, as medidas de proteção são necessárias porque “está faltando mercado no mundo e os poucos mercados que crescem vêm atrás do Brasil, e a nossa indústria está sendo prejudicada com isso”.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse que a lista de produtos com Imposto de Importação maior será encaminhada imediatamente aos parceiros do Mercosul, que têm prazo de 15 dias para aprová-la ou apresentar objeções, se for o caso. Cumprida a exigência formal, Pimentel acredita que a lista deve entrar em vigor na última semana de setembro. A medida terá validade de 12 meses, prorrogável por igual período.


Fonte: Net Marinha