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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Para uma guerra global, uma moeda global


Por Roberto Luis Troster

 Desde os primórdios da história, os que se consideram mais fortes tentam aproveitar-se dos demais; quase sempre conseguem. É o caso das atuais políticas monetárias chinesa e norte-americana. Desvalorizam suas moedas, dando mais competitividade internacional a sua estrutura produtiva, prejudicando a de outras economias. Enriquecem à custa do empobrecimento alheio.


Os impactos dessa guerra cambial são globais, entretanto, são mais lesivos ao Brasil do que a outros países em razão de características do mercado local: uma tendência a valorizar o real, uma maior volatilidade nas taxas, defeitos no processo de formação de preços das divisas e custos de transação mais elevados. Sua origem está em distorções do sistema financeiro nacional.


O mercado de divisas brasileiro tem qualidades como uma câmara de ativos futuros sofisticada e uma dimensão considerável, mas também defeitos como uma regulamentação de negociação de divisas à vista ("spot") anacrônica, a composição da demanda de coberturas ("hedges") cambiais assimétrica, mecanismos de transmissão monetária emperrados, concentração de instituições e quase todas as negociações em uma única moeda.


As sequelas no Brasil têm sido danosas, em especial para a indústria nacional que está perdendo mercados internos e no exterior, fechando postos de empregos e recebendo menos investimentos e para os contribuintes que pagam dezenas de bilhões de reais todos os anos com o carregamento das reservas internacionais. Em síntese a atuação monetária sino-americana lesa, e muito, o crescimento do país.


Agravando o quadro, o cenário para os próximos anos é de que o Brasil continuará a perder batalhas, as projeções apontam para a manutenção da tendência de valorização do real e para uma redução ainda maior da participação da indústria no PIB. É um sinal inequívoco de que a política neomercantilista de barreiras protecionistas, IOF, incentivos localizados e acumulação de reservas não apresenta os resultados almejados. Comprovadamente não funciona. Entretanto, há como enfrentar esse problema global.


A solução é globalizar o real. É oportuno e viável. Num mundo em turbulência cambial, com incertezas associadas ao futuro do euro e do dólar, há demanda por outras divisas internacionais, além do iene e da libra. O Brasil tem as condições necessárias para atender essa procura com sua moeda: tem uma participação relevante no comércio mundial, é a sexta economia mundial, seu sistema financeiro é sofisticado e sólido e já tem um embrião nesse sentido, que é o Sistema de Pagamentos em Moedas Locais. É questão de avançar.


As vantagens com a internacionalização são consideráveis. A mais importante é que se obteria uma taxa de câmbio mais competitiva favorecendo a indústria nacional. As outras são custos de transações do comércio exterior mais baixos, maior correlação com as taxas de juros internacionais (desvantagens para outros países, mas considerável para o Brasil), mais estabilidade ao sistema financeiro mundial que poderia diversificar mais os ativos, a economia de dezenas de bilhões de reais gastos atualmente com a política de reservas e menos volatilidade e vulnerabilidade cambial.


Em razão das vantagens que podem auferir com a internacionalização, alguns países têm projetos nesse sentido e estão avançando rapidamente; dois destaques são a Coreia do Sul e a China. Cada caso é um caso, e o Brasil também pode e deve fazer acontecer. É um processo que exige reformas e investimentos composto de quatro blocos: centro de negociação, modernizar o câmbio, mecanismos de transmissão e reformas; todos dependem apenas do poder Executivo.


A criação de um centro de negociação de divisas internacional (poderia até ser um offshore no Rio de Janeiro) tem vantagens consideráveis: 1) ajudaria a diluir a negociação de divisas, atualmente dez bancos respondem por 90% das transações; 2) facilitaria a conversão direta do real para outras moedas sem passar pelo dólar; 3) diminuiria a volatilidade do real; e 4) melhoraria o processo de formação da cotação do câmbio, atualmente a reboque das arbitragens de taxas de juros.


Modernizar o câmbio é a segunda prioridade. Apesar de alguns avanços, o tratamento ao câmbio não acompanhou as evoluções da estrutura produtiva, do comércio e das finanças. Devem ser eliminadas as restrições à posse e uso de divisas, inclusive permitir contas em moeda estrangeira. Além dos benefícios para a economia como um todo, haveria uma vantagem competitiva para o sistema financeiro nacional e uma alternativa adicional a todos os agentes para diversificar ativos.


Desobstruir os mecanismos de transmissão da política monetária no Brasil deveria ser uma prioridade, independentemente da globalização. É uma ineficiência que faz com que a taxa de juros neutra seja uma das mais altas do mundo, onerando as contas públicas e atraindo capitais especulativos. O mantra é desindexar e alongar prazos de ativos e passivos.


O quarto pilar é reformar, em especial a tributação. É razoável afirmar que a arrecadação do governo com as transações com o resto do mundo deve ser menor do que suas perdas em razão de investimentos que vão para outros países. A globalização demanda adaptações internas.
A agenda do desenvolvimento brasileira é mais extensa, e este seria um passo importante. A atual equipe econômica tem méritos em querer mudar algumas coisas, com destaque colocar na agenda a produtividade e a competitividade. Cometeu alguns equívocos, faz parte. Especificamente, protestar em fóruns internacionais não vai influenciar os Estados Unidos e China para que alterem suas estratégias. O Brasil tem a escolha de continuar com a atual postura ou mudar e parar de fazer o jogo que convém a eles. Fica a dúvida, qual será?

Roberto Luis Troster, da Troster e Associados, é doutor em economia pela USP e foi economista-chefe da Febraban, da ABBC e do Banco Itamarati.

China deverá triplicar importações do Brasil até 2025


Maior cliente individual da celulose branqueada de eucalipto produzida no Brasil, a China deverá triplicar os volumes comprados até 2025, de acordo com projeção da Pöyry Tecnologia. No ano passado, o país asiático ficou com 3,9 milhões de toneladas da matéria-prima produzida na América Latina - o Brasil é, isolado, o maior produtor de celulose de eucalipto da região - e vai alcançar 12 milhões de toneladas/ano até 2025.
Conforme a Pöyry, a Ásia - com destaque para a China - será responsável por mais de 90% do crescimento da produção mundial de papel até 2025 e terá o mesmo peso na expansão do consumo global de fibra (celulose e papel reciclado). "Não acreditamos que a China será autossuficiente em celulose no futuro", afirmou o vice-presidente da multinacional finlandesa, Carlos Alberto Farinha e Silva, antes da abertura do 45º Congresso e Exposição Internacional da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP).

O levantamento da Pöyry indica que, até 2025, a Ásia produzirá volume adicional de 86 milhões de toneladas anuais de embalagens, papéis gráficos e sanitários. Ao mesmo tempo, a região elevará em 88 milhões de toneladas anuais o consumo de fibra reciclada e celulose virgem.

Se as perspectivas de longo prazo são positivas para a indústria brasileira, o curtíssimo prazo tem despertado preocupação. Para a Pöyry, os resultados da indústria em 2012 ficarão abaixo do verificado no ano passado. "Estamos vendo perdas importantes de volume e receita no mercado internacional", acrescentou a presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth de Carvalhaes. Segundo ela, as receitas com exportação de celulose recuaram 9% no acumulado do ano até setembro. No mesmo intervalo, a receita obtida com as vendas externas de papel caiu 11%.

De acordo com Elizabeth, os dados relativos a setembro foram conhecidos na segunda-feira e serão divulgados no próximo relatório conjuntural da Bracelpa. O último levantamento apontou que as exportações de celulose acumulavam queda de 7,9% de janeiro a agosto, para US$ 3,058 bilhões.
A presidente da Bracelpa afirmou também que a indústria está ampliando seu portfólio e vai diversificar ainda mais a oferta de produtos florestais. Para ela, o foco das companhias no médio e longo prazos deve estar nos múltiplos usos da madeira. "Claramente, vamos abrir esse leque e partir também para pellets para energia, biocombustíveis, entre outros", afirmou.

Na semana passada, a Fibria, maior produtora mundial de celulose branqueada de eucalipto, anunciou a entrada no negócio de biocombustíveis com a compra de 6% do capital da americana Ensyn Corporation. Antes disso, a Suzano Papel e Celulose havia anunciado a criação de uma nova empresa, a Suzano Energia Renovável, que produzirá e exportará pellets para geração de energia.

Conforme Elizabeth, os investimentos de US$ 24 bilhões projetados pela indústria brasileira até 2025 compreendem aportes em outros negócios e não apenas em celulose e papel. Inicialmente, a previsão era que esse valor fosse aplicado pelas empresas brasileiras até 2020. Com a crise econômica, o setor estendeu o prazo até 2025.

Fonte: Valor Econômico

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Diplomacia e comércio Por Antonio Patriota


A diplomacia comercial é uma ferramenta valiosa a serviço da promoção de interesses e da geração de riquezas. O objetivo da diplomacia comercial - parte das atribuições cotidianas do Itamaraty, no Brasil e no exterior - pode ser definido como o de criação de condições e prospecção de oportunidades para que o comércio internacional sirva ao projeto de des
envolvimento do país.

Nessa perspectiva, o primeiro desafio para a diplomacia comercial é a obtenção de melhores condições de acesso a mercados para os bens e serviços produzidos no país. Nesse front, o Brasil e a comunidade internacional em seu conjunto deparam hoje com os efeitos negativos da crise financeira de 2008, que reduziu o crescimento econômico global e a demanda por bens e serviços em todo o mundo. O impacto da crise econômica sobre o comércio é ilustrado por projeções do Fundo Monetário Internacional e da Organização Mundial do Comércio (OMC), que estimam que, neste ano, o comércio internacional crescerá somente 2,5%, o que significa uma acentuada queda em relação ao crescimento verificado em 2011, de 5%, e de 13,8% em 2010. Em outras palavras, o comércio internacional, em reversão de tendência observada por décadas, crescerá menos ainda do que o já limitado crescimento econômico global previsto para este ano, de 3,3%.

Conforme assinalou a presidenta Dilma Rousseff em seu discurso nas Nações Unidas, a crise mundial tem levado muitos países desenvolvidos a adotar políticas fiscais ortodoxas e recessivas que têm afetado, também, o cenário comercial mundial. Por força das políticas monetárias expansionistas que desalinham as taxas de câmbio, os países emergentes perdem mercado devido à valorização artificial de suas moedas, o que agrava ainda mais o quadro recessivo global.

Em um cenário de crise, o governo impulsiona novos projetos, tanto no campo negocial como no de promoção comercial

No plano multilateral, o impasse que paralisa a Rodada Doha não autoriza otimismo quanto à conclusão exitosa, no curto prazo, das negociações conduzidas sob o guarda-chuva da OMC. Não estão dadas as condições, por exemplo, para que finalmente sejam corrigidas as distorções que afetam o comércio internacional de produtos agrícolas, de grande interesse para os países em desenvolvimento. Ainda assim, não deve haver dúvida de que o Brasil continua comprometido com a conclusão da Rodada Doha na sua feição de "Rodada do Desenvolvimento". Diante da impossibilidade de avançar no plano multilateral, contudo, o Brasil volta sua atenção para o aprofundamento do Mercosul, a consolidação de uma zona de livre comércio sul-americana, a retomada de negociações com outros países e regiões e o aproveitamento, pela via da promoção comercial, das vantagens em matéria de acesso a mercado já obtidas até aqui.

Como afirmou o chanceler do Uruguai em visita ao Brasil na semana passada, o Mercosul vive um momento de força. O Mercosul é um projeto que permitiu que o intercâmbio do Brasil com o bloco mais que decuplicasse desde sua criação, passando de US$ 4,5 bilhões, em 1991, para US$ 47,2 bilhões, em 2011. Os bens manufaturados representam mais de 90% das exportações brasileiras para o agrupamento, configurando fonte de geração de empregos de alta qualidade no país.
O Mercosul, porém, não beneficiou somente o Brasil. Todos os sócios ganharam com o aumento das trocas intrarregionais. O amplo mercado consumidor brasileiro, que tem conhecido expansão sem precedentes nos últimos anos, está aberto aos vizinhos. Com o recente ingresso da Venezuela, o bloco amplia seu potencial, integrando 28 milhões de novos consumidores ao mercado do Mercosul.

Na América do Sul, a rede de acordos comerciais negociados no âmbito da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) assegura a conformação de uma zona de livre comércio sul-americana em 2019. A essa realidade somam-se os esforços empreendidos no âmbito da Unasul com vistas a desenvolver a infraestrutura regional de transportes e a criar mecanismos que estimulem e facilitem tanto o comércio como os investimentos. Sabemos que a América do Sul - inclusive o Mercosul - não está imune aos impactos da crise de 2008. As dificuldades específicas e pontuais enfrentadas por seus integrantes, contudo, não diminuem o comprometimento brasileiro com o Mercosul ou com a integração sul-americana.
Em um contexto de crise internacional e de impasse nas negociações multilaterais, o governo brasileiro impulsiona novos projetos, tanto no campo negocial como no de promoção comercial. Fazem parte desse processo as consultas públicas aprovadas recentemente pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), destinadas a aferir a percepção dos agentes econômicos brasileiros em relação a acordos de livre comércio do Mercosul com a União Europeia e o Canadá.

No campo da promoção comercial, é intenso o esforço para apoiar os agentes econômicos no aproveitamento ao máximo das oportunidades de negócios viabilizadas por acordos comerciais já negociados até aqui. No âmbito do Mercosul, será realizado, por ocasião da Reunião de Cúpula de Brasília, em dezembro do corrente ano, o primeiro grande evento empresarial do agrupamento, o que curiosamente somente ocorre 21 anos após a entrada em vigor do Tratado de Assunção. Na mesma linha, missões empresariais têm sido realizadas à margem das viagens oficiais da presidenta Dilma Rousseff, e grande número de eventos voltados para a promoção do produto nacional, no Brasil e no exterior, refletem a estreita cooperação entre o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior/Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Mdic/Apex).

As regras comerciais de que hoje dispomos - fundamentais - são aquelas reunidas nos acordos da OMC, com suas imperfeições e lacunas. Para aperfeiçoá-las e completá-las, será preciso a anuência de 157 soberanias, que perfazem juntas 98% do comércio internacional. A complexidade dessa tarefa, aliada aos efeitos persistentes da crise econômico-financeira internacional, impõe à diplomacia comercial brasileira desafios novos que vem sendo enfrentados com criatividade e determinação. Ciente da importância da diplomacia comercial como instrumento de promoção do desenvolvimento nacional, o Itamaraty dela se ocupa com renovada e diferenciada atenção

Antonio de Aguiar Patriota é ministro das Relações Exteriores.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

País diferente



Era uma vez um país que, durante muitos e muitos anos, privilegiou os investimentos financeiros. Quem aplicava o dinheiro no mercado financeiro tinha ganhos bem superiores à taxa de inflação -ganhos reais, como dizem os economistas.

Nessas condições, pessoas físicas e jurídicas se acostumaram durante décadas com rendimentos financeiros que não exigiam nenhum esforço e não representavam praticamente nenhum risco. Os títulos do governo eram seguros e rendiam sempre bem mais do que a inflação. Frequentemente, proporcionavam retornos melhores do que o de operações industriais e comerciais.

Durante todo o tempo em que esse país foi seguidas vezes campeão (ou vice) mundial dos juros altos, havia explicações sempre prontas dos especialistas. O país seria diferente dos demais. Assim, para funcionar como indutor da queda da inflação, os juros teriam de ser exponencialmente maiores.
Os empresários diretamente ligados à produção foram, nesse tempo todo, críticos enfáticos dessa política de juros elevados. Até um empresário que ocupou a vice-presidência da República por oito anos, o saudoso José Alencar, destacou-se nessa crítica, mesmo tendo se chocado muitas vezes frontalmente com alas do governo na área da economia.

Num belo dia, porém, alguém acendeu uma luz e o discurso já cansativo e repetitivo dos empresários começou a ser melhor observado. A jabuticaba dos juros desse país diferente não poderia continuar para sempre. A taxa básica começou então a ser cortada pelas autoridades monetárias. Em pouco mais de um ano, a taxa foi reduzida de 12,5% ao ano para 7,5% ao ano. Deixou de ser a mais alta do mundo, mas continuou ainda distante das demais taxas internacionais, muitas delas próximas de zero.

Hoje, tudo indica que esse país está finalmente entrando na era dos juros civilizados. A batalha atual é para convencer o setor financeiro a reduzir a diferença entre as taxas que paga ao captar recursos e as que cobra ao emprestá-los, que os financistas chamam de spread. Ou seja, que os bancos passem a adotar juros civilizados também na oferta de crédito a pessoas físicas e jurídicas. Até a presidente da República se envolveu nessa cruzada, fazendo críticas diretas às taxas de juros dos cartões de crédito. O ministro da Fazenda chamou-as de "escorchantes".

A palavra parece apropriada. Sob crítica, as instituições financeiras começaram a baixar os juros dos cartões. Mas elas continuam ainda bastante elevadas, muitas em torno de 300% ao ano. Só para se ter uma ideia, entre os países vizinhos desse país diferente, a mais alta taxa é de 55% ao ano. Os países mais distantes, mais ricos, têm taxa anual equivalente à mensal desse país diferente.

Ainda há, portanto, muito a progredir nesse país em matéria de taxas de juros no crédito tanto a empresas quanto a pessoas físicas. Mas os observadores de tendências, do ramo das finanças ou leigos no assunto, já notam que a queda dos juros começa a levar pessoas físicas e jurídicas a investir seu dinheiro diretamente em atividades mais ligadas à produção.

Pessoas físicas já procuram fundos imobiliários e outros papéis ligados à construção. À medida que a situação global tenda a se estabilizar, também buscarão, certamente, ações de empresas que remunerem bem seus acionistas e mantenham boas práticas de gestão corporativa.

Além de reduzir juros, outras medidas vêm sendo tomadas pelo governo desse país diferente para diminuir custos de produção, como desoneração de folhas de pagamentos e cortes de impostos.

É uma tendência muito bem-vinda, porque ela vai estimular exatamente o que esse país mais precisa: investimentos de médio e de longo prazo. Aumentar o investimento é crucial para que o objetivo maior do crescimento da produção e do emprego seja ali cumprido, sem estimulo inflacionário.

Em breve, se a tendência continuar, chegará a hora da verdade para que esse país deixe de ser diferente. Nele, certamente continuará sendo possível "viver de renda", como diziam os antigos.

Mas a vida, nesses casos, será menos tranquila, porque os ganhos reais cairão, como em qualquer lugar do mundo. Quem quiser obter rendimentos mais elevados terá de arregaçar as mangas, investir em operações produtivas de longo prazo e correr mais riscos. Será um país igual aos outros. Ou, no mínimo, menos diferente.

POR BENJAMIN STEINBRUCH, 59, empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp. 

FONTE : Folha de São Paulo

Preço de exportações recua e importações ficam mais caras.




Por Sergio Lamucci | De São Paulo
Depois de subir 25% em 2010 e 2011, os termos de troca (a relação entre preços de exportação e de importação) acumulam queda de 4,2% de janeiro a agosto em relação ao mesmo período de 2011, ajudando a explicar a piora do saldo comercial neste ano. Nos primeiros oito meses de 2012, as cotações de exportação caíram 2,9%, puxadas pelo recuo de 6,5% dos produtos básicos, com destaque para o tombo do minério de ferro. No mesmo intervalo, os preços de importação subiram 1,3%, especialmente devido à alta de 5,2% dos preços de combustíveis. Os números são da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex).
Para o quarto trimestre deste ano e para o ano que vem, as perspectivas para os termos de troca não são das mais animadoras, dada a aposta dominante num cenário de crescimento global fraco - a China deve crescer também em 2013 a um ritmo não tão exuberante, a Europa tende a seguir estagnada e a recuperação nos EUA é capenga. Com isso, a terceira rodada de afrouxamento quantitativo nos EUA (a ação de política monetária ultraexpansionista, marcada pela compra de títulos hipotecários, conhecida como QE3) deverá ter um impacto limitado sobre os preços de commodities, a despeito de aumentar o dinheiro em circulação nos mercados globais.
Neste ano, a balança comercial caminha para fechar o ano com um superávit na casa de US$ 18 bilhões, quase 40% inferior ao saldo de US$ 29,8 bilhões do ano passado. Parte desse tombo se explica pela piora dos termos de troca, diz o especialista em comércio exterior Fernando Ribeiro, técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Em 2010 e 2011, a balança comercial brasileira registrou superávits expressivos, de US$ 20,1 bilhões e US$ 29,8 bilhões, mesmo com o volume de importações crescendo quase 50% no período. A questão é que, estimulados pela disparada das commodities, os preços de exportação aumentaram 48,5% nesses dois anos, um avanço bem mais forte que os 18,7% dos preços de importações, o que resultou no já mencionado ganho de 25% dos termos de troca em 2010 e 2011.
O cenário atual, contudo, é bem diferente, ressalta Ribeiro. As projeções de expansão da economia global para o ano que vem, por exemplo, têm sido frequentemente revistas para baixo. "2013 deverá ser mais um ano de baixo crescimento da economia mundial", afirma ele, observando que nem mesmo a China, grande consumidora de commodities, deverá repetir o desempenho exuberante registrado por muitos anos. Ontem, por exemplo, o Banco Mundial reduziu de 8,2% para 7,7% a estimativa para o avanço da economia chinesa no ano que vem. Um crescimento menos expressivo da China limita as perspectivas para os preços de produtos básicos, que compõem grande parte da pauta de exportações do Brasil.
A Europa segue enredada em sua crise. Ainda que não ocorra uma ruptura da zona do euro, a expectativa é de crescimento baixo por muito tempo. Isso prejudica bastante a China, que tem nos países europeus o seu principal mercado de exportação. Nos EUA, há o temor do chamado abismo fiscal, o risco de uma combinação simultânea de fim da redução de impostos e corte de gastos no começo de 2013 - se isso se concretizar, haverá uma contração fiscal violenta, afetando o crescimento.
Com esse cenário complicado, a expectativa para os preços de commodities não é das melhores, acredita também o economista Silvio de Campos Neto, da Tendências Consultoria. "A trajetória de médio prazo esperada para os termos de troca é de acomodação ou de um pequeno ajuste para baixo", diz Campos Neto. Ribeiro tem opinião parecida - acha que nos meses que restam de 2012 e ao longo de 2013 o mais provável é que os termos de troca sigam estáveis ou mostrem um pequeno recuo.
Para ele, os preços do minério de ferro não deverão ter um comportamento tão ruim quanto neste ano, mas a tendência das cotações do produto com maior peso na pauta de exportação continua a ser pouco favorável, dada o panorama para a economia chinesa. De janeiro a agosto, as cotações de exportação do setor de extração de minerais metálicos (onde está o minério de ferro) recuaram quase 20% em relação ao mesmo período de 2011. Já os preços das commodities agrícolas, como a soja, podem cair, depois da alta registrada nos últimos meses, diz Ribeiro.
Para ele, o saldo comercial neste ano deve ficar na casa de US$ 18 bilhões, encolhendo mais um pouco em 2013, embora ainda não tenha uma estimativa fechada para o ano que vem. A recuperação da economia brasileira deve aumentar a demanda por importações, que tendem a avançar a um ritmo superior ao das exportações.
"Mas não espero um recuo dramático do superávit", afirma Ribeiro, notando que os termos de troca devem ter pouca influência sobre o resultado da balança comercial no ano que vem, por esperar que eles fiquem estáveis ou tenham pequena queda. Campos Neto vai na mesma linha, projetando um superávit de US$ 15 bilhões em 2013.

Empresas brasileiras podem ampliar participação no mercado russo.



A Rússia se tornou oficialmente, no final de agosto, o 156º membro da instituição, abrindo a perspectiva de expansão das suas relações comerciais com o mundo. Quando um país adere à OMC, assume uma série de compromissos, como redução de tarifas de importação. Logo, espera-se maior fluxo de comércio exterior –tanto de importação quanto de exportação.
Agora, a expectativa é maior para o crescimento das importações. O poder de compra dos russos cresce junto com o PIB, que em 2011 avançou 4%, para US$ 1,8 trilhão. Mas a oferta de produtos desejados pela nova classe média e alta não acompanha a demanda.

A economia russa é altamente dependente de recursos naturais metade do valor produzido pela indústria vem dos setores de petróleo, metalurgia e química. Há, portanto, carência de bens de consumo, o que é visto como oportunidade para algumas áreas da indústria brasileira.

Para Marcos Lélis, coordenador da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações), as maiores oportunidades para o Brasil estão em produtos procurados por consumidores de alta renda, mais voltados para o mercado de luxo, como joias e calçados, entre outros. “Não estamos falando de competir com os calçados chineses, mas da exportação de produtos de alto padrão.”

Para a gaúcha Piccadilly, a Rússia é um dos mercados internacionais mais promissores. “A Rússia é o nosso terceiro mercado na Europa e pode se tornar o primeiro, pois está numa situação econômica muito melhor do que Portugal e Grécia, que estão nas primeiras posições”, diz Micheline Grings, diretora de exportação da Piccadilly.

Segundo ela, as russas compram calçados com cores vibrantes e estão dispostas a pagar mais pela etiqueta “made in Brazil”.

“O nosso produto não tem competitividade em preço, mas tem valor agregado em moda e conforto”, afirma a executiva. No caso das joias, além do design, as pedras nacionais têm um diferencial no mercado russo, diz Lélis, da Apex.

Com três lojas em Moscou, a H.Stern é uma das empresas brasileiras que tentam conquistar os consumidores da classe A russa. A Apex também aponta os setores de implementos agrícolas e de autopeças como oportunidade para elevar as exportações brasileiras para o novo membro da OMC.

Carnes e açúcar

Embora as perspectivas para as exportações de produtos industrializados para a Rússia sejam boas, os valores são ínfimos se comparados aos das commodities. De janeiro a agosto, o Brasil exportou US$ 15 milhões em calçados para a Rússia e US$ 1,5 milhão em joias e pedras lapidadas. Só a carne bovina chegou a US$ 765 milhões, ou 45 vezes mais que os artigos de luxo. Os três principais produtos vendidos para a Rússia -carne bovina, açúcar e carne suína respondem por 70% da receita de exportação.

Tamanha concentração deixa a balança comercial vulnerável às barreiras sanitárias impostas pelos russos. Neste ano, as exportações são prejudicadas principalmente pelo embargo à carne suína, que provocou retração de 63% nos embarques.

Pedro de Camargo Neto, presidente da associação dos exportadores de suínos, acredita que a entrada da Rússia na OMC pode intimidar a adoção de barreiras sanitárias. “Mas não haverá mudança rápida e drástica”, diz.

Pão de queijo e frutas

Pão de queijo e frutas tropicais são os produtos que consumidores russos familiarizados com coisas brasileiras gostariam de ver nas prateleiras russas. Na pesquisa feita pelo consultor de comércio bilateral Sérgio Lessa, também aparecem os cosméticos naturais. Das frutas brasileiras apreciadas por esses consumidores, apenas mamão “gold” e manga “gold” são exportados para lá em quantidades significativas. As demais provêm de outros países. Por exemplo, a carambola vem da Malásia e a banana é proveniente da América Central. Entretanto, uma única empresária russa está fazendo sucesso com a importação de açaí.

Fonte: Export News

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

REFINARIA NO CEARÁ: Prováveis sócios se reúnem por mais de 4h.




O governo do Estado do Ceará quebrou, ontem, mais uma aresta apontada pela Petrobras, para que a estatal cumpra com a promessa de que irá instalar, até 2018, nas terras alencarinas, uma refinaria de petróleo, a Premium II: apontar um parceiro de alto potencial financeiro e elevado perfil tecnológico, para participar como sócio do empreendimento. Pela manhã, às 9 horas, o governador Cid Gomes apresentou a técnicos representantes da estatal, dois altos executivos da GS Caltex, multinacional coreana especializada na construção de usinas petrolíferas. É mais uma tentativa de agilizar o empreendimento - de grande importância para o desenvolvimento da economia cearense -, que há décadas vem sendo prometido por políticos e gestores públicos estaduais e federais.

Portas fechadas

Do encontro, - que transcorreu a portas fechadas, sem a presença da imprensa, na sala de reuniões do Palácio da Abolição, - participaram o vice-presidente de Energia e Refino e o gerente de Negócios, da GS Caltex, Taio Kim e Ryan Nam, respectivamente, e do lado da Petrobras, a gerente Executiva Tributária, Maria Alice Pereira Deschamps, o executivo de Abastecimento Corporativo, Luiz Alberto, e o gerente Geral de Planejamento Corporativo de Abastecimento, Arlindo Moreira Filho. Cid Gomes, no entanto, fez apenas o papel de articulador, apresentando e aproximando os dois futuros possíveis sócios.

Mesmo sem a presença do governador, a reunião continuou por mais de quatro horas seguidas, em sala contígua ao gabinete de Cid Gomes, com direito a almoço, sucos e lanches. Calados entraram, calados saíram, sem que os jornalistas tivessem a oportunidade de qualquer contato direto com o grupo.

Limitação

Mais tarde, somente Cid Gomes se manifestou, ainda assim para reiterar que promoveu o encontro para instigar o início das obras da refinaria e atender a um pleito da presidente da Petrobras, Graça Foster. No último encontro dos dois, a executiva condicionou a antecipação das operações da refinaria, à participação societária de uma grande empresa do setor petrolífero.

"Agora, a minha participação se limita a isso (promover o encontro). Hoje (ontem) de manhã, eu apresentei os executivos da GS Caltex aos executivos da Petrobras e isso, a partir de agora, passa a ser um entendimento deles e só eles podem se pronunciar sobre esse aspecto", resumiu o governador, durante o lançamento da pedra fundamental da Siderúrgica Latino-Americana (Silat), em Caucaia.

Para que a refinaria saia do papel, o contribuinte cearense, por meio do governo do Estado, já investiu e continua investindo na construção de um porto marítimo, na implantação de um canal de transposição de água e em infraestrutura elétrica e rodoferroviária. Milhões vem sendo gastos, para que a refinaria deixe o campo das promessas.

Água para Anacés

Na última semana, três técnicos da Funai visitaram a área de 720 hectares, próxima à fazenda Garrote, em Caucaia, onde serão assentadas as 150 famílias que se autodenominam indígenas, da etnia Anacé. Segundo o secretario executivo da Secretaria de Recursos Hídricos (Sohidra), Ramom Rodrigues, o grupo teria aprovado o terreno, mas pediu a emissão de um laudo técnico estadual, atestando que há disponibilidade de água de boa qualidade na área, o que já estaria sendo feito por técnicos da pasta.

Fonte: Diário do Nordeste

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Missão leva empresários brasileiros para conhecer as potencialidades.


A Câmara de Comércio, Indústria e Agropecuária Brasil-Moçambique (CCIABM) realiza de 10 a 17 de novembro a Semana do Brasil em Moçambique. Trata-se de uma missão que contará com uma delegação de políticos e empresários brasileiros para a conhecer as oportunidades de negócios que Moçambique tem a oferecer, além de desenvolver o intercâmbio comercial e de investimentos entre os dois países.
As relações entre Brasil e Moçambique têm se intensificado a cada ano, e ainda há um enorme potencial para o seu fomento. Um estudo feito pela revista britânica The Economist coloca Moçambique no 8º lugar entre os países com o maior crescimento econômico da última década. Além disso, foi apontado pelo relatório Doing Business 2011 como uma das grandes promessas africanas para investimentos, revelando-se um mercado extremamente atraente para o empresariado brasileiro.

 Durante o período, estão previstas rodadas de negócios e reuniões com representantes de vários setores. A equipe da CCIABM, além da programação oficial, auxiliará no agendamento e no contato para a marcação de outras reuniões de acordo com o interesse de cada empresa participante. Os principais contatos em potencial são para os ramos de alimentos e bebidas, medicamentos e material cirúrgico, tecnologia da informação e automação, máquinas e equipamentos, energia, infraestrutura e mineração, dentre outros.

 Mais informações sobre a missão e pacotes,
 CCIABM
 Fone: +55-31-3243-3012
 E-mail: tamyres.vidigal@cciabm.com
 Web: www.cciabm.com
 VP TURISMO Fone: + 55 -31- 2103-8900
 E-mail: anapaula@vpturismo.com.br
 aparecida.gerencia@vpturismo.


FONTE : FIEC

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

"Made in Ceará" em Cabo Verde



 
A rota de navio Ceará-Cabo Verde, que começa a operar em outubro, deve elevar o volume de vendas de produtos cearenses no exterior. Como Cabo Verde hoje importa quase todos os tipos de produto e tem grande interesse pelo que é fabricado no Brasil, a expectativa é de um resultado rápido para as indústrias cearenses.

Detalhe: Cabo Verde também é uma das portas de entrada para produtos na África. Por essa razão, a rota é considerada estratégica para as empresas locais.

Ontem, durante reunião da Ceará Trade Brasil (companhia que organiza a rota) com um grupo de empresários do setor metal-mecânico, foi fechado acordo para a exportação de eletrodomésticos, panelas e até aço. Todos os produtos são “made in Ceará” e começarão a ser vendidos em Cabo Verde até o final do ano.

Fonte : O povo 
Publicado dia 27.09.12 
Neila Fontenele